Bolsonaro aceita convite de conselheiro de Trump no Rio para visitar EUA, depois de América do Sul

O presidente eleito brasileiro, Jair Bolsonaro (PSL), disse que vai aceitar o convite feito por John Bolton , Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, que se reuniu com ele no Rio nesta quinta-feira, para visitar o presidente Donald Trump nos Estados Unidos. Segundo Bolsonaro, a conversa de uma hora, que aconteceu na sua casa, na Barra da Tijuca, incluiu discussões sobre Venezuela, Cuba, Israel e as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O presidente eleito reiterou ainda que pretende alinhar as políticas do seu governo aos Estados Unidos, conforme ele e sua equipe vêm demonstrando repetidamente.

Bolsonaro também disse que existe a possibilidade de Trump vir à sua posse em 1 de janeiro.  As primeiras declarações do presidente eleito aconteceram numa rápida entrevista na Vila Militar do Rio de Janeiro, aonde se dirigiu após o encontro com Bolton, para acompanhar a formatura na Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais.

—  Existe a possibilidade (de Trump vir). É uma data ingrata o dia 1 de janeiro para o mundo todo. Mas existe esta possibilidade. Obviamente, ficaria muito honrado caso Trump comparecesse à nossa posse —  afirmou o presidente eleito, que também falou sobre o encontro com Bolton: — Muita coisa conversamos, por aproximadamente uma hora, sobre questões internas que interessam aos dois países: geopolítica, a questão armamentista, Venezuela, Cuba .Houve uma grande aproximação, mais um grande passo que nós demos em direção aos Estados Unidos, e os Estados Unidos em direção a nós. Queremos aprofundar essas conversas que, no meu entender, terão frutos econômicos de que nós precisamos em grande parte, e eles também precisam.

Ao contrário do que era esperado, Bolton não disse se Trump comparecerá à posse de Bolsonaro em Brasília. Segundo fontes da equipe de transição, o presidente americano ainda não decidiu quem mandará à cerimônia em 1º de janeiro.

 

Jair Bolsonaro (PSL) posa ao lado de conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton Foto: Divulgação/Assessoria de Imprensa Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (PSL) posa ao lado de conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton Foto: Divulgação/Assessoria de Imprensa Jair Bolsonaro

Bolsonaro afirmou ainda que pretende, antes de uma visita oficial aos EUA,  fazer primeiro uma viagem a países da América do Sul:

—  Pretendo, sim (fazer visita oficial aos Estados Unidos). Num primeiro momento, estamos estudando uma viagem curta aqui na América no Sul:Paraguai, Argentina e Chile.  E, na próxima viagem nossa, pretendo visitar os Estados Unidos.

Questionado se o terrorismo também foi tema da conversa, o presidente eleito brasileiro negou:

—  A questão do terrorismo não entrou na conversa. Mas a questão das barreiras, das taxas alfandegárias e da dificuldade de fazer negócio aqui eu também transmiti a ele,no sentido de facilitarmos o comércio com os Estados Unidos e o mundo todo sem prejudicar a nossa economia, obviamente.

Bolsonaro falou ainda sobre a relação diplomática com a Venezuela, tema sensível que, segundo ele, entrou na conversa com Bolton desta manhã:

— A Venezuela é uma questão que vem de lá de trás. Temos que buscar soluções. Pela cláusula democrática, a Venezuela nem deveria ter entrado no Mercosul. Medidas têm que ser tomadas. Sabemos que lá existem aproximadamente 80 mil cubanos. Tem mais esse agravante. Vai ser difícil tirar a Venezuela da situação em que ela se encontra, mas nós aqui faremos o possível pelas vias legais e pacíficas. Buscar resolver os problemas porque nós sentimos os reflexos da ditadura que se instalou na Venezuela —  disse.

Chamado por parte da imprensa internacional de “Trump dos trópicos”, Bolsonaro nunca escondeu admiração pelo presidente americano e nesta quinta-feira repetiu que deseja alinhar as suas políticas a Washington. Por sua vez, a Casa Branca elogiou a eleição do brasileiro, considerada “uma boa notícia” para a região. Bolsonaro tem indicado que pode seguir algumas das medidas mais polêmicas de Trump, como mudar a embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém e abandonar o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.

Bolsonaro recebe com continência

Enviado de Trump, John Bolton chega à casa de Jair Bolsonaro na Barra da Tijuca Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Enviado de Trump, John Bolton chega à casa de Jair Bolsonaro na Barra da Tijuca Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Bolton chegou à casa de Bolsonaro às 6h55 da manhã desta quinta-feira para uma visita sobre o futuro das relações com o Brasil. O americano estava numa megacomitiva de segurança com três carros pretos e outro prata, enquanto helicópteros da Polícia Federal sobrevoavam a área. Várias motos do Batalhão de Choque da Polícia Militar reforçaram o esquema. Nem Bolton nem Bolsonaro falaram com jornalistas imediatamente após o encontro.

A equipe de segurança de Bolton começara a chegar ao condomínio Vivendas da Barra, onde mora Bolsonaro, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, às 6h13. Às 6h46, o deputado estadual Flavio Bolsonaro, eleito senador pelo Rio, também entrou no local. O futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o atual chanceler, Aloysio Nunes (PSDB), também participaram do encontro.

Bolsonaro recebeu Bolton em clima amigável e bateu continência ao ver o assessor da Casa Branca descer do carro. O conselheiro dos EUA disse que era um prazer encontrar o presidente eleito. Em seguida, Bolsonaro levou Bolton a uma informal mesa de café da manhã, sem toalha, na qual havia pães, queijos na bandeja de isopor, bolo, água de coco  de industrializada e potinhos de iogurte danoninho.

O presidente eleito apresentou-lhe o general Fernando Azevedo e Silva, futuro ministro da Defesa, que também estava no encontro. Por sua vez, Bolton deu parabéns a Flavio Bolsonaro pela “reeleição”. O deputado estadual do Rio assume em 2019 cadeira no Senado.

O general Augusto Heleno, escolhido por Bolsonaro para comandar o Gabinete de Segurança Institucional, também estava presente. Ele se sentou ao lado do presidente eleito na mesa em que ocorreu a reunião com a delegação americana e disse a Bolton que Brasil e EUA devem reforçar seus laços bilaterais devido às proximidades “geográficas e geopolíticas” entre os dois países.

—Temos que nos aproximar. Isso parece muito importante — disse o general Heleno.

Às 8h, Bolton e sua comitiva saíram do condomínio de Bolsonaro. O encontro durou exatamente uma hora. Embora rápida e discreta, a visita de Bolton provocou certo tumulto adicional na vida dos vizinhos de Bolsonaro. Moradores precisaram atravessar o reforçado esquema de segurança para levar os filhos à escola, começar um dia de trabalho ou dar um passeio na praia. Bolsonaro deixou o condomínio às 8h30 e seguiu rumo à Vila Militar.

‘Conversa ampla e produtiva’

Jair Bolsonaro e John Bolton se reúnem na casa do presidente eleito brasileiro, no Rio Foto: Divulgação/Assessoria de Imprensa Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro e John Bolton se reúnem na casa do presidente eleito brasileiro, no Rio Foto: Divulgação/Assessoria de Imprensa Jair Bolsonaro

Pelo Twitter,  Bolton destacou que ele, Bolsonaro e o que chamou de “equipe de segurança nacional” do presidente eleito tiveram uma discussão “ampla e muito produtiva”. O assessor da Casa Branca informou então que, em nome de Trump, convidara o brasileiro para visitar os Estados Unidos.

“Tive uma ampla e muito produtiva discussão com o presidente eleito do Brasil Bolsonaro e sua equipe de segurança nacional. Estendi o convite do presidente Trump para Jair Bolsonaro visitar os EUA. Nós esperamos uma parceira dinâmica com o Brasil”, escreveu Bolton na rede social.

Futuro chanceler Ernesto Araújo, senador eleito Flavio Bolsonaro e nomeado para GSI, general Heleno, participam de encontro com John Bolton no Rio Foto: Assessoria de Imprensa Jair Bolsonaro
Futuro chanceler Ernesto Araújo, senador eleito Flavio Bolsonaro e nomeado para GSI, general Heleno, participam de encontro com John Bolton no Rio Foto: Assessoria de Imprensa Jair Bolsonaro

Bolton veio ao Rio numa escala da sua viagem a Buenos Aires, onde participará da cúpula do G-20. A delegação americana era composta pelo diretor de imprensa Garrett Marquis, o diretor do conselho para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Mauricio Claver-Carone, o diretor para o Brasil, David Schnier, e o encarregado de negócios no Brasil Bill Popp (funcionário responsável por chefiar missão diplomática na ausência do embaixador).

Fontes da Casa Branca afirmam que, apesar do manifesto interesse mútuo entre os dois países de ampliar laços — motivados por identificação ideológica —, há um ceticismo no lado americano. Assim, a visita de Bolton teria um caráter exploratório. O Brasil está longe de ser prioridade em Washington, mas fontes oficiais admitem que, pelo posicionamento ideológico, pela crise da Venezuela e pela guinada à esquerda do México com o novo presidente Andrés Manuel López Obrador, o Brasil pode ter uma importância maior.

Fonte: Globo

Jaqueline Alves

Graduada em Ciências Sociais e Engenheira Ambiental. Especialista em Direito Ambiental; Direito Municipal; Gestão Pública; Engenharia e Segurança do Trabalho; MBA em Petróleo e Gás e Auditoria Ambiental

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