Buritirama disputa com a Vale o mercado de manganês no Brasil

A produção de manganês está mudando de mãos no Brasil. A Vale, que tem sido o principal player nacional e um dos maiores do mundo, vem reduzindo sua produção enquanto a Buritirama, empresa pertencente a um jovem empresário paulista, faz o caminho inverso e expande suas vendas e faturamento a um ritmo acelerado nos últimos anos.

Aos 38 anos, o engenheiro civil João José Oliveira de Araújo começou em 2015 a atuar como diretor operacional da empresa e em 2017 adquiriu 100% do capital, segundo ele, a múltiplo de mercado. A mineradora era um ativo da sua família. Seu pai, o investidor Silvio Tini, era o principal acionista.

A entrada de Araújo na Buritirama aconteceu num momento de alta dos preços internacionais do minério, puxados pelo aquecimento da demanda chinesa. O manganês é usado principalmente na produção de aço inoxidável.

Em 2015, a companhia faturou R$ 80 milhões e gerou um caixa de R$ 1 milhão . Em 2016, os números já melhoraram para, respectivamente, R$ 220 milhões e R$ 70 milhões. Em 2017, novo salto: R$ 500 milhões de faturamento e 230 milhões de geração de caixa. No ano passado, o faturamento foi dez vezes o de 2015: R$ 850 milhões e geração de R$ 400 milhões. O preço médio das exportações brasileiras saltou de US$ 78,6 a tonelada em 2015 para US$ 136,3 em 2017.

“Nossa previsão para 2019 é faturar R$ 2 bilhões e alcançar uma geração de caixa de 750 milhões”, disse Araújo em entrevista ao Valor na semana passada em Belo Horizonte. “Vamos vender este ano aproximadamente 2 milhões de toneladas de manganês e vamos passar a Vale.”

Entre janeiro e setembro de 2018, a Vale produziu 1,3 milhão de toneladas de minério de manganês. Os dados constam do relatório de produção e vendas da empresa referente ao terceiro trimestre. A Vale ainda não divulgou dados completos de 2018.

De acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM), em 2015, a produção da Vale correspondia a quase 55% da produção nacional de manganês e a da Buritirama, 14%. Em 2017, a situação se inverteu. A participação da Vale caiu para 34,6% e da Buritirama subiu para 36%. A ANM não dispõe ainda dos números referentes a 2018.

Para Araújo , o avanço da Buritirama se deveu ao câmbio, que favoreceu exportadores nos últimos anos, à alta do preço do minério e muito ao trabalho de gestão e a bons contratos com clientes, sobretudo, asiáticos.

A mina da empresa localizada em Marabá, no Pará, tem a vantagem de ter um minério de alto teor de manganês. Outra vantagem é que está longe de chegar à fase de exaustão das reservas mineiras — o que já acontece com algumas das minas da Vale.

“Estou otimista em relação à demanda por minério de manganês nos próximos anos, principalmente pelo minério de mais alto teor”, diz Araújo. “E nós vendemos minério com teor de 44% de manganês, é um produto premium.”

De toda produção de manganês da Buritirama, 90% é exportada para clientes na Ásia, dos quais 70% são chineses. Gigantes globais de manganês como a australiana South 32, BHP Billiton, e a francesa Eramet, disputam o mercado asiático com os brasileiros.

Há dois anos, a Buritirama fechou contrato com a Vale para uso de sua linha férrea no Pará. É pelos trilhos, por rodovia e por rios que a produção de manganês da Buritirama chega aos portos da Vila do Conde (PA) e de Itaqui (MA).

Por anos a equação logística foi uma dificuldade enfrentada pela Buritirama. Segundo o relato de pessoas do setor, a questão para a empresa era obter um contrato favorável com a Vale para uso da linha. A Vale teria tido no passado se interessado em comprar a mina da família. Mais recentemente, o manganês deixou de estar entre as grandes prioridades da Vale. Araújo diz que o contrato para uso da ferrovia tem validade por 20 anos.

No início do mês, o empresário — que diz preferir uma posição de maior discrição, pouco afeito a entrevistas e a fotos — esteve em Toronto onde participou do Prospectors and Developers Association of Canada, um dos principais eventos globais de mineração. Expôs seu case a investidores, bancos e executivos do setor. Para crescer, a empresa se financiou por meio de bancos nacionais e estrangeiros e pelos próximos três anos os planos de investimentos de R$ 350 milhões passam de novo por bancos.

A Buritirama é parte do Grupo Buritipar, de Araújo, e do qual fazem parte negócios ainda em estruturação. A Nexon, de cobre, potássio e estanho; a Fazendas Nacionais, de grãos; a Avante BR, de logística; e o porto de granéis em Barcarena, que começa a ser construído este ano, segundo ele.

“Hoje, 90% da receita do grupo vem da mineração, principalmente do manganês. Em três anos essa participação estará em 50% e as cinco empresas vão crescer no mesmo ritmo que a Buritirama.”

A mineradora conta atualmente com 3.500 funcionários diretos e indiretos e Araújo sonha [muito] alto: “Minha missão de vida é checar a 100 mil colaboradores.”

Cerca de 90% do total produzido é exportado para clientes na Ásia; mais de dois terços vão para clientes chineses.

Fonte: Valor

Jaqueline Alves

Graduada em Ciências Sociais e Engenheira Ambiental. Especialista em Direito Ambiental; Direito Municipal; Gestão Pública; Engenharia e Segurança do Trabalho; MBA em Petróleo e Gás e Auditoria Ambiental

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