Cientistas podem ter explicação para icebergs

Imagem de um iceberg verde avistado no mar da Antártica em 1985 (Foto: Journal of Geophysical Research: Oceans/Kipfstuhl et al 1992.)

Imagem de um iceberg verde avistado no mar da Antártica em 1985 (Foto: Journal of Geophysical Research: Oceans/Kipfstuhl et al 1992.)

Pesquisadores podem ter descoberto por que alguns icebergs da Antártida têm a aparência verde em vez do conhecido azul. O enigma científico desafia especialistas desde o início do século 20.

A hipótese, apresentada por glaciologistas em um estudo que publicado no Journal of Geophysical Research: Oceans, da União Geofísica Americana, tem duas explicações: o alto teor de ferro presente nos icebergs verdes e a reação à luz.

De acordo com os pesquisadores, o gelo puro é azulado porque absorve mais luz vermelha do que a luz azul. Na Antártida, é muito comum ver icebergs com essa tonalidade ou brancos; porém, desde a década de 1900, especialistas e exploradores relatam ter encontrado alguns icebergs com uma coloração verde.

No estudo, os glaciologistas levantam a suspeita de que os óxidos de ferro em pó, presentes em rochas da Antártida, podem deixar a coloração dos icebergs esverdeada. A hipótese foi apresentada após pesquisadores australianos terem descoberto uma enorme quantidade de ferro na região leste do continente gelado.

A importância do ferro

O ferro é um elemento essencial para a vida microscópica do oceano, como a de fitoplânctons. Apesar de sua importância, esse nutriente pode ser escasso em áreas do mar.

Segundo a União Geofísica Americana, caso a hipótese publicada no Journal of Geophysical Research: Oceans se prove correta, isso pode significar que os icebergs verdes transportam o ferro para o mar aberto — levando o nutriente para os microorganismos que ali vivem.

“É como levar um pacote para os correios. O iceberg pode levar esse ferro para o oceano longe, e depois derreter e entregá-lo ao fitoplâncton, que pode usá-lo como um nutriente ”, diz Stephen Warren, glaciologista e principal autor do novo estudo, em nota. “Nós sempre pensamos que os icebergs verdes eram apenas uma curiosidade exótica, mas agora achamos que eles realmente podem ser importantes”.

Warren começou a estudar esse fenômeno na Antártida em uma expedição australiana que aconteceu em 1988. Foi então que ele levou uma amostra de um iceberg verde da costa da Antártida Oriental.

Após análises, Warren e outros especialistas não conseguiram achar uma explicação rápida para o que viram. Foi só recentemente que o cientista elaborou sua teoria, após uma oceanógrafa da Universidade da Tasmânia ter testado a quantidade de ferro presente no iceberg.

Os pesquisadores querem, agora, analisar icebergs de cores diferentes para testar seu teor de ferro e outras propriedades que podem ter reação à luz. Se comprovada, a teoria deles fará icebergs verdes serem considerados ainda mais importantes para a vida marinha do que se imaginava.



Fonte: Galileu

Jaqueline Alves

Graduada em Ciências Sociais e Engenheira Ambiental. Especialista em Direito Ambiental; Direito Municipal; Gestão Pública; Engenharia e Segurança do Trabalho; MBA em Petróleo e Gás e Auditoria Ambiental

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