Como funciona um Aterro Sanitário

Como funciona um aterro sanitário? Como é organizado um aterro sanitário? Como é feita a seleção de áreas para aterro sanitário? Abra seus olhos para o amplo mercado de resíduos sólidos cheio de oportunidades que poucos comentam.

Atualmente o aterro sanitário é a forma mais viável de destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos. Sendo assim, dos 5.570 municípios brasileiros apenas 40,83% encaminham seus resíduos aos aterros. De acordo com especialistas do setor: “é um mercado amplo e promissor”.

A função do aterro sanitário é isolar os resíduos sólidos de qualquer contato com o mundo exterior. Garantir assim a decomposição da matéria orgânica de maneira adequada a fim de evitar impactos ambientais e disseminação de doenças.

Alguma vez você já se questionou quais seriam as consequências do mal gerenciamento de um aterro sanitário?

De fato os erros de projeto e de operação muitas vezes levam a acidentes. Dos quais podemos citar: o rompimento de células, explosões, recalque de platô, deslizamento de terra, vazamento de chorume, etc. Dessa forma a soma desses fatores nos remetem a um cenário caótico que colocam em risco a saúde e segurança das pessoas.

Entretanto, mudando de cenário… Imagine um aterro sanitário que é exemplo de respeito ambiental, com aproveitamento energético do biogás e tem um parque eólico! E ainda por cima se não fosse o suficiente imagine que o mesmo conte com uma planta fotovoltaica!

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“Uma pessoa pode permanecer parada numa correnteza, mas não no mundo dos homens.” (Provérbio japonês)

Embora todo esse conjunto se apresente de maneira utópica ou fora da realidade, eu tenho uma coisa pra te mostrar: O ATERRO SANITÁRIO DE BREMEN, na Alemanha. Com certeza, ele existe.

Como funciona um aterro sanitário?

O aterro sanitário é uma área licenciada por órgãos ambientais destinadas a receber os resíduos sólidos de forma planejada. A NBR 13896/1997 fixa as condições mínimas exigíveis para operação de aterros de resíduos não perigosos. A fim de proteger adequadamente as águas superficiais e subterrâneas, inclusive os operadores destas instalações e populações vizinhas. Dessa maneira a área de disposição dos resíduos deve ser previamente delimitada por uma equipe técnica de topografia. Onde deverão ser demarcados os limites laterais, a altura projetada e o avanço previsto da frente de operação ao longo do dia.

  • Passo 01: o caminhão deve depositar o resíduo não compactado no pé da rampa, conforme definido pelo fiscal.
  • Passo 02: o espalhamento das pilhas de resíduos deverá ser feito em camadas baixas.
  • Passo 03: em seguida procederá a compactação com passagem do trator de esteira sobre o resíduo (3 a 5 vezes).

Já na frente de operação, os resíduos devem formar rampas com inclinação aproximada de 1 na vertical para 3 na horizontal (1:3). E ser encobertos por terra nos intervalos ou no encerramento das operações. O equipamento de compactação deve estar permanentemente à disposição na frente de operação do aterro sanitário.

Como funciona a impermeabilização e o sistema de drenagem do aterro sanitário

A camada de impermeabilização da base deve garantir a segura separação da disposição de resíduos do subsolo. Impedindo assim a contaminação do lençol freático e do meio natural através de infiltrações de percolados e/ou substâncias tóxicas.

O bom funcionamento do sistema de drenagem interna de percolados e de gases é fundamental para a estabilidade do aterro sanitário. Desse modo a drenagem de percolados deve estar inserida entre os resíduos, podendo ser interligada ao sistema de drenagem de gases.

No Brasil poderão ser dispostos no aterro sanitário os resíduos sólidos de Classe II – Não-Inertes (NBR 10.004/1987). Por outro lado, sob nenhuma hipótese deverão ser recebidos resíduos sólidos de Classe I, classificados como perigosos.

Como é organizado um aterro sanitário?

O que difere os aterros sanitários das demais formas irregulares de disposição é a sua organização estrutural. Visto que conta com o apoio técnico de engenheiros e pessoal qualificado (tratoristas, motoristas, etc.) para execução das tarefas diárias.

Portanto, para ser chamado de aterro sanitário são necessários no mínimo as seguintes características:

Unidades Operacionais:

  • Possibilidade de alojamento em células especiais para vários tipos de resíduos;
    • Células para rejeitos oriundos do lixo domiciliar;
    • Células de lixo hospitalar (caso o Município não disponha de processo mais efetivo para dar destino final a esse tipo de lixo);
  • Isolamento inferior não permitindo que o chorume atinja os lençóis freáticos;
  • Sistema de coleta e tratamento dos líquidos percolados (chorume), resultante da decomposição da matéria orgânica;
  • Sistema de coleta e tratamento dos gases do aterro;
  • Isolamento superior evitando contaminação do ar e atração de animais que se alimentam dos resíduos orgânicos;
  • O isolamento superficial (superior) deve ser feito diariamente;
  • Sistema de drenagem pluvial para evitar que a água da chuva penetre no aterro e dessa forma gere ainda mais chorume;
  • Pátio de estocagem de materiais.

Unidades de apoio:

  • Cerca e barreira vegetal;
  • Estradas de acesso e de serviço;
  • Balança rodoviária e sistema de controle de resíduos;
  • Guarita de entrada e prédio administrativo;
  • Oficina e borracharia.

Não só exigências técnicas estruturais e construtivas, mas ainda há que se avaliar o impacto local e sobre a área de influência do empreendimento e se buscar medidas para mitigá-los. Assim sendo, dentro de um projeto detalhes como este são cruciais para o sucesso do empreendimento.

Já que estamos falando em empreendimento de sucesso, O ATERRO SANITÁRIO DE BREMEN é um exemplo de inovação e sustentabilidade.

Fonte: portalresiduossolidos

Jaqueline Alves

Graduada em Ciências Sociais e Engenheira Ambiental. Especialista em Direito Ambiental; Direito Municipal; Gestão Pública; Engenharia e Segurança do Trabalho; MBA em Petróleo e Gás e Auditoria Ambiental

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