Conheça 10 edifícios sustentáveis do Brasil

 

São Paulo – Você sabia que o Brasil já é o quarto país do mundo com mais prédios verdes? São 601 empreendmimentos com a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), sistema de orientação ambiental de edificações usado em mais de 130 países. Ficamos atrás apenas dos Estados Unidos, que conta com 41.857 prédios, da China, que tem 996, e dos Emirados Árabes Unidos, com 791.

Mas não para por aí. O Processo AQUA (Alta Qualidade Ambiental) – certificação internacional de construções sustentáveis baseada no processo francês Démarche HQE, desenvolvido e adaptado à regulamentação brasileira pela Fundação Vanzolini –, aponta mais 129 certificados.

Os selos trazem diversas vantagens para os empreendimentos, tais como a redução dos custos operacionais e valorização do imóvel. Conheça dez edifícios que adotaram esses compromissos ambientais e as soluções trazidas por eles.

1 -JK 1455 (SP)

O imponente prédio da avenida Presidente Juscelino Kubitschek, em São Paulo, conquistou a primeira certificação LEED ouro do país em novembro de 2012. Na realidade, o edifício passou por uma adequação para que sua estrutura passasse a ser sustentável, aprimorando várias técnicas para a redução do impacto ambiental. Com 13 pavimentos de escritórios, o prédio foi entregue em 2008 pela Cyrela. Hoje, dentre as soluções verdes, estão estratégias para a redução do consumo de energia elétrica, melhor uso da água – já que não tem produtos químicos nas fontes do prédio, reaproveitando o líquido para as torres de resfriamento – e maior eficácia na limpeza, pois implementa políticas visando eficiência com mínimo uso de produtos químicos.

2 – Fábrica da Coca-Cola na Fazenda Rio Grande (PR)

Esta é a primeira fábrica do país a alcançar a certificação LEED na categoria New Construction, atestada em agosto de 2012. As medidas sustentáveis do empreendimento vão desde a sua construção até a gestão da obra sem impactos à comunidade. Ela usa tecnologias e medidas de eficiência energética, tem consumo eficiente da água, qualidade interna do ar e iluminação facilitada. A fábrica foi erguida em um terreno de 80 mil m², tendo 20 mil m² de área construída. Cerca de 41% da área total do terreno é deixado para espaços abertos e vegetados. Outros pontos favoráveis são a área de lazer projetada para o descanso dos funcionários, espaços no estacionamento reservados para quem oferece carona aos colegas de trabalho, sistema de captação de água da chuva, além do telhado verde, considerado o maior da América Latina. O investimento foi de mais de R$ 4 milhões.

3 – Porto Brasilis (RJ)

A Gafisa conta ainda com outro empreendimento com o selo LEED, desta vez no Rio de Janeiro. O primeiro edifício comercial de alto padrão fica na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua São Bento e tem área total de 18.600 m², distribuídos em 16 pavimentos de escritórios e três de estacionamento. Dentre as características sustentáveis estão o sistema de tratamento e reaproveitamento da água da chuva, medição individual do consumo de água e energia, uso de materiais de construção com baixos compostos orgânicos voláteis, louças e metais sanitários economizadores de água, reatores e lâmpadas de alta eficiência, separação e armazenamento de lixo reciclável, vagas preferenciais para veículos com baixa emissão e recuperadores de energia instalados no sistema de exaustão dos sanitários.

4 -Eldorado Business Tower (SP)

Localizado na avenida Nações Unidas, em São Paulo, o prédio da Gafisa foi entregue em 2007 e recebeu o selo LEED em 2009. As 16 empresas sediadas no edifício contam com 120.000 m² de área construída, bicicletário, centro de convenções e heliponto. Dentre as soluções adotadas estão a utilização de torneiras automáticas, restritores de vazão e bacias sanitárias com sistema dual flush, o que proporciona uma economia de 30% de água. Além disso, há o sistema de reuso de água da chuva e condensação do ar condicionado, o que faz com que 100% da água usada no paisagismo e na limpeza das garagens seja reaproveitada. Para otimizar o uso da energia elétrica, os elevadores possuem sistema de frenagem regenerativa, o que acarreta em economia de até 37% em comparação aos elevadores convencionais.

5 – Energisa (PB)

Não são apenas os grandes centros que possuem prédios verdes. Prova disso é o conjunto de prédios da Energisa, que fica no sertão da Paraíba e tem o selo LEED. Como há escassez de recursos na região, além do clima ser semi-árido, a preocupação com a qualidade de vida do usuário foi o que motivou o projeto. Assim, o terreno de 10 mil m² recebeu um conjunto de prédios com 1.902 m² de área construída, erguidos com materiais renováveis, reutilizáveis e recicláveis, como madeira com certificação de reflorestamento, vidros laminados com baixo fator solar, tijolos cerâmico-prensados maciços e cercas de divisas com metal reciclado. Foram incorporados, ainda, recursos como telhas de alumínio com preenchimento de poliuretano para proteção térmica e acústica do ambiente e instalações com sistema de captação de água da chuva.

6 – Rochaverá Corporate Towers (SP)

O complexo de escritórios de alto padrão recebeu o selo LEED Gold por ter como principais objetivos a redução de impactos durante a sua construção, além do amplo aproveitamento dos recursos na fase de operação do empreendimento, que é da construtora Método Engenharia SA. Localizado na Vila Gertrudes, ele conta com 20.595 m² de área construída e tem como exigências a redução do consumo de energia, dos custos operacionais e de manutenção, a diminuição do uso de recursos ambientais não renováveis e a melhora da qualidade do ar interno do edifício.

7 – Leroy Merlin (SP)

A Leroy possui o maior número de certificações AQUA da América Latina, sendo a revitalização e a modernização de sua sede administrativa no bairro de Interlagos, São Paulo, a que teve o maior grau de dificuldade, devido a grande quantidade de resíduos gerados e as restrições para execução das melhorias. O investimento inicial de cada loja gira em torno dos R$ 50 milhões. Das dez hoje certificadas, três são 100% sustentáveis, já que são certificadas na sua construção, no uso e na operação. Mas todas têm as seguintes soluções: ar condicionado com baixo consumo energético e com controle de umidade, mictórios sem o uso de água, válvulas de descarga de fluxo duplo que liberam mais ou menos água conforme a necessidade, aproveitamento de água da chuva nos banheiro e para irrigação de fachadas feitas com vidro de alto desempenho para a economia de energia.

8 – True Chácara Klabin (SP)

Como a Even Construtora e Incorporadora é uma empreendedora AQUA, todos os prédios residenciais lançados em São Paulo são concebidos e preparados pensando na sustentabilidade. O True Chácara Klabin, por exemplo, tem telhado verde, o que otimiza o conforto térmico do empreendimento, coleta seletiva com área disponível para armazenamento de resíduos dentro do apartamento e local específico para armazenamento intermediário de resíduos no hall de cada andar, facilitando a disposição de lixo para o morador. O edifício fica na rua Flávio de Melo.

9 – Templo Religioso Sukyo Mahikari (SP)

O prédio que fica em São Paulo tem área total construída de 2.300 m². O principal objetivo em sua construção foi garantir o conforto acústico e térmico aos usuários, priorizando a iluminação natural e a utilização de brises reguláveis que reduzem a carga térmica proveniente da incidência solar. Nas áreas comuns há lâmpadas de LED, que consomem menos energia, a água quente do chuveiro é aquecida com energia solar e os materiais usados são sustentáveis, tais como vidros laminados auto-limpantes e forros removíveis. Para a preservação dos recursos hídricos, há o sistema de reuso da água da chuva e da água proveniente da lavagem de roupas, dos banhos e dos lavatórios. Denominada de água cinza, ela passa por um tratamento físico-químico e é destinada à lavagem de calçadas, rega de plantas e descargas dos vasos sanitários.

10 -Escola Ilha da Juventude (SP)

A escola pública estadual da Vila Brasilândia, em São Paulo é certificada pelo Processo AQUA e tem soluções arquitetônicas que evitam salas de aula muito frias no inverno ou muito quentes no verão, além de serem isentas de problemas de iluminação, já que o projeto usa brises na fachada, aproveitando ao máximo a iluminação natural. Outra preocupação do empreendimento é o tratamento acústico, já que os ruídos e a interferência do som das quadras poliesportivas nas salas são importantes em uma escola. As soluções encontradas para isso foram o tratamento das quadras com isolante acústico no contrapiso e o uso de portas mexicanas maciças nas classes para bloquear o som.

Fonte:exame.abril.com.br

Jaqueline Alves

Graduada em Ciências Sociais e Engenheira Ambiental. Especialista em Direito Ambiental; Direito Municipal; Gestão Pública; Engenharia e Segurança do Trabalho; MBA em Petróleo e Gás e Auditoria Ambiental

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