Dono de negócio bilionário, candidato em MG defende taxar dividendos

 

São Paulo – Romeu Zema é dono do bilionário Grupo Zema, rede de varejo forte em Minas Gerais que tem 430 lojas e um faturamento de 4,5 bilhões de reais. Aos 53 anos, o empresário sempre atuou nos negócios da família e até poucos meses atrás era o presidente do conselho de administração do grupo, que atua em setores diversos: da moda aos postos de combustíveis, passando pelo carro-chefe que são as lojas de eletrodomésticos e móveis.

Mas agora Romeu Zema resolveu mudar de carreira – virou político.

Candidato a governador de Minas Gerais pelo Partido Novo (do candidato à presidência João Amoêdo), Zema falou a EXAME sobre os motivos que o levaram a apostar na política e o que acredita que precisa mudar no ambiente de negócios no Brasil. “Os empresários sempre atuaram de duas maneiras na política: na promiscuidade ou totalmente ausentes. São duas posturas condenáveis”, afirma.

Afastado de suas funções na empresa desde que decidiu se candidatar, hoje o empresário-candidato não recebe salário da companhia, apenas dividendos como acionista – ele é dono de 30% do negócio, que foi fundado por seu bisavô, Domingos Zema, em Araxá (MG) e hoje está presente em seis estados do país. Mesmo assim, Zema acredita que o Brasil precisa taxar dividendos, que atualmente são livres de impostos. “Essa medida só é ruim para quem é rentista empresarial, não para quem reinveste”, defende.

Filiado ao Partido Novo, agremiação que concentra candidatos empresários nessas eleições, Zema tem hoje 7% de intenções de voto para governador em Minas Gerais, e está em terceiro lugar na disputa. É o candidato a governador do partido com melhor desempenho até agora.

Leia os principais trechos da entrevista:

EXAME – Por que decidiu se candidatar?

Romeu Zema – Foram alguns pontos. Eu já havia deixado o cargo de CEO da empresa no final de 2016. Nunca havia imaginado essa possibilidade de atuar na política, mas no ano passado recebi o convite do Partido Novo e cheguei à conclusão de que deveria. Vejo que os empresários têm uma boa parcela de culpa sobre a situação atual do país. Sempre atuamos de duas maneiras na política: na promiscuidade, como as grandes construtoras, ou totalmente ausentes, como era o meu caso. São duas posturas condenáveis. Tenho filhos e não desejo que eles vivam numa Venezuela, o que parece ser o interesse de boa parte de nossa classe política. Com a empresa profissionalizada, vi que havia a possibilidade de eu me dedicar de corpo e alma à campanha, como tenho feito.

Como fica sua relação com a empresa sendo candidato?

Eu estava no conselho de administração como presidente. Com a minha candidatura julguei por bem me afastar definitivamente, para evitar conflito de interesse, apesar de a empresa não fornecer para o governo. Já estou na empresa há mais de 40 anos. Mesmo estando envolvido na política, continuo recebendo os relatórios, só não tenho envolvimento na gestão. Não estamos longe. A sede da Zema é em Araxá e na campanha tenho ficado mais em Belo Horizonte. Qualquer ida minha lá acabo estando dentro da empresa novamente. Hoje não recebo salário da Zema, apenas dividendos como acionista.

Há uma denúncia de abuso de poder econômico contra o senhor, por suposta pressão para que funcionários do grupo votassem em você. O que diz sobre isso?

Temos 430 lojas. Todas as cidades que visito em campanha, eu faço questão de passar para cumprimentar os empregados. E aí surgiu essa denúncia infundada de que eu estava fazendo campanha nas lojas. Eu vou para cumprimentar os funcionários e comunicar minha decisão de disputar. Muitos funcionários deram depoimento e todos comprovam essa versão. Já arrancaram funcionário de dentro da loja com força policial para levar para dar depoimento, inclusive de lojas em que eu não tinha nem passado.

Qual o tamanho do Grupo Zema hoje?

Temos 5.500 funcionários, e faturamos 4,5 bilhões de reais em 2017. Eu tenho 30% do negócio, meu irmão tem outros 30%, minha irmã mais 30% e minha mãe tem 10%. A empresa foi fundada pelo meu bisavô e tem 95 anos.

O que precisa mudar no ambiente de negócios no Brasil?

Principalmente a simplificação tributária, e esse é um dos pontos da minha campanha. É impossível ter segurança com a complexidade atual. Nem falo em redução de carga nesse primeiro momento.

Outra coisa que precisamos para melhorar o ambiente de negócios é um governo mais estável, preocupado com as contas públicas. Isso daria segurança, propiciaria investimentos e criação de empregos. Temos um Estado preocupado em atender quem está lá dentro, que representa algumas corporações e não o povo. Quanto mais participo mais percebo isso.

O senhor declarou patrimônio de 69 milhões de reais ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Como financia sua campanha?

As minhas viagens eu custeio todas, faço quase tudo de carro. De certa maneira, faço o que sempre fiz quando abria lojas pelo estado. Fora isso, o Partido Novo tem 24 mil filiados contribuintes que ajudam a sustentar a estrutura e as campanhas. Temos feito eventos de arrecadação e isso ajuda a trazer recursos. Dentre nossos apoiadores estão o Gustavo Franco, o Bernardinho do vôlei e o Salim Mattar, da Localiza.

O Brasil é um dos únicos países do mundo que não taxam dividendos. Como empresário e político, acha que isso deveria mudar?

Sou totalmente favorável à taxação de dividendos. Lá fora eles reduziram a contribuição das empresas e aumentaram os impostos sobre dividendos. Se isso for feito aqui, as empresas vão ter mais interesse em reinvestir do que em distribuir dividendos. Essa medida só é ruim para quem é rentista empresarial, não para quem reinveste.

Fonte: Exame

Jaqueline Alves

Graduada em Ciências Sociais e Engenheira Ambiental. Especialista em Direito Ambiental; Direito Municipal; Gestão Pública; Engenharia e Segurança do Trabalho; MBA em Petróleo e Gás e Auditoria Ambiental

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