Ibama e Semad fazem nova vistoria onde houve rompimento de Fundão

Três equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad) fizeram nesta sexta-feira (16) mais uma vistoria no local onde houve o rompimento da barragem de Fundão, emMariana, na Região Central de Minas Gerais, em novembro de 2015.

O período de chuvas preocupa os órgãos já que a água pode espalhar os rejeitos que ficaram depositados ao longo do Rio Doce, provocando mais estragos. Os técnicos estão monitorando o controle de rejeitos nos rios desde o local onde houve o rompimento até a Usina Hidrelétrica de Risoleta Neves, conhecida como Candonga, a 100 quilômetros de Mariana. Esse trecho foi atingido por mais de 10 milhões de m³ de lama. A equipe esta revisitando cerca de 90 pontos.

A primeira etapa do trabalho foi realizada em junho. Na época técnicos do Ibama verificaram que 96% das áreas dos córregos que abastecem os rios principais ainda tinham rejeitos. A mineradora Samarco, responsável pela barragem de Fundão, foi orientada a implantar medidas de contenção. Desta vez, os técnicos estão avaliando se as providências foram tomadas. Todas as intervenções têm que ser feitas antes do período da chuva.

A equipe fez uma comparação do cenário atual com as fotos tiradas em junho. Em um dos pontos uma estrada foi construída no meio de um curso d’água para a instalação de diques de contenção.

Um deles, o chamado S4, é alvo de polêmica. Segundo a Samarco, ele é fundamental para contenção de sedimentos e melhoria permanente da qualidade da água. Apesar da discussão, o impasse não foi resolvido durante a audiência.

O dique seria construído logo abaixo do local onde existia Bento Rodrigues, distrito destruído pelo “mar de lama” provocado pelo rompimento de Fundão no dia 5 de novembro. Porém, parte da região pertence a particulares. Alguns proprietários não concordam com a construção da estrutura no local.]

Para o MPF, falta elementos técnicos que comprovem que esta é a única solução para evitar o carreamento de rejeitos no período chuvoso.

Os trabalhos de vistoria vão até o dia 23. Só depois de analisar o material coletado, é que o Ibama, e a Semad vão poder dizer se o que vem sendo feito está de acordo com o que foi estipulado.

Audiência de conciliação
De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a juíza titular da 2ª Vara da Comarca de Mariana, Marcela Oliveira Decat de Moura, vai garantir a 41 atingidos pelo rompimento direitos anteriormente assegurados e que ainda não foram cumpridos por problemas no cadastro, falta de documentos e comprovação da propriedade dos imóveis destruídos.

A magistrada também determinou a liberação da R$ 500 mil para custear uma equipe de profissionais para assessorar os atingidos.

Outras questões serão discutidas no dia 10 de outubro.

Desastre
A barragem de Fundão, pertencente à Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billiton, se rompeu no dia 5 de novembro de 2015, destruindo o distrito de Bento Rodrigues e deixando centenas de desabrigados.

A lama gerada pelo rompimento atravessou o Rio Doce e chegou ao mar do Espírito Santo. No percurso do rio, cidades tiveram de cortar o abastecimento de água para a população em razão dos rejeitos. Dezenove pessoas morreram.

Assistam o vídeo abaixo:

http://g1.globo.com/minas-gerais/desastre-ambiental-em-mariana/noticia/2016/09/ibama-e-semad-fazem-nova-vistoria-onde-houve-rompimento-de-fundao.html

Fonte: G1

Jaqueline Alves

Graduada em Ciências Sociais e Engenheira Ambiental. Especialista em Direito Ambiental; Direito Municipal; Gestão Pública; Engenharia e Segurança do Trabalho; MBA em Petróleo e Gás e Auditoria Ambiental

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