Lembranças de um velho Garimpeiro – Zezão do Abacaxi

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Um dos garimpos mais comentado  e com boas histórias foi o garimpo do Abacaxi. Localizado no rio de mesmo nome na região de Itaituba no Pará. No garimpo do Abacaxi , a extração de ouro foi intensa. O dono deste garimpo foi o folclórico Zezão do abacaxi, personagem muito conhecido por todos os garimpeiros do Brasil. No inicio ele era apenas um vendedor de combustível e viveres na região de Itaituba no Pará,   e com muito esforço e uma dose maior ainda de sorte consegui descobrir muito ouro na região do rio Abacaxi. No auge chegou a ter mais de 100 dragas e todas controladas por ele. Além de um grande garimpeiro, o Zezão era um grande comerciante.Todo o comercio, como:  bares, boates e etc..era controlado por ele. Quando um garimpeiro queria ir a uma “zona”,pegava um vale na gerência, depois quando ia fazer o acerto o vale era descontado. O Zezão tinha alguns aviões de pequeno porte para levar os garimpeiros de Itaituba  ao garimpo,mas, ele ficou famoso quando comprou um avião Bandeirante da Embraer, e levava quem queria ir ate o Abacaxi. Fora o garimpo, ele tinha outras aplicações como um fazenda em Itaituba, que ficou famosa no tempo em que Fernando Collor era presidente da Republica. Certa vez Collor foi a Itaituba e o avião oficial da presidência pousou na pista de pouso da fazenda do Zezão,pois,  a mesma era maior e melhor do que o aeroporto oficial da cidade.

na década de oitenta era tido como rei do ouro do Alto Tapajós. São muitas as histórias de Zezão, entra elas a disputa pelo garimpo Rosa de Maio. Numa das edições do Globo Repórter foram dedicadas duas partes do programa para falar dos garimpos e das riquezas de Zezão do Abacaxi. Na reportagem da Folha de São Paulo de 24 de Novembro de 1991, fala da produção de 110 Kg por mês em seus garimpos.  Dono de uma fortuna avaliada em US$ 20 milhões, o garimpeiro mais rico do Brasil não tem nem talão de cheque. Francisco de Assis Moreira da Silva, 46 anos, o Zezão, mal sabe assinar o seu nome, mas controla o império de 13 aviões, duas fazendas, 8 mil cabeças de gado e um mega garimpo onde operam 120 dragas e trabalham quase dois mil homens.

A produção do Rosa de Maio, no sul do Amazonas, ultrapassa 110 Kg de ouro por mês. Isso representa quase 10% de tudo que se produz região de Itaituba – PA (na fronteira com o AM), a maior do Brasil. Piauiense do município de Buriti dos Lopes, Zezão abandonou a roça aos 21 anos para ser “burro de garimpo” (carregador de materiais e mantimentos) em Porto Velho (RO). Lá, pegou pela primeira vez em uma batéia (espécie de uma peneira usada na garimpagem manual). Para a maioria dos garimpeiros que viveram o início da corrida do ouro, o achado de uma pepita significava, antes de tudo, a garantia de uma grande farra. Para Zezão, que não bebe, não fuma e diz que não gosta de festa, cada grama encontrada representava mais um passo em direção ao sonho de comprar uma draga. Conseguiu a máquina em 80. Nesse mesmo ano, acho o seu primeiro vilão de ouro.

Comprou máquinas que se transformaram em mais ouro, que por sua vez, viraram novas máquinas. Até a compra do Rosa de Maio, em 83, por 20 Kg de ouro, Zezão adquiriu o que hoje é tido como o garimpo mais rico do pais. Hoje, milionário e ainda analfabeto, o garimpeiro tem horror a papeis, títulos e ações. Se recusa a ter conta em banco. O ouro que vende, transforma em aviões, gado e equipamento de garimpo. O que não vende, guarda em local ignorado. A despesa de cerca de Cr$ 70 milhões que tem por semana, com mantimentos e manutenção , paga em dinheiro vivo. Anda sempre com uma sacola cheia grudada ao corpo. Ele controla pessoalmente cada centavo de sua fortuna, embora não saiba fazer contas no papel. Não gosta de falar de dinheiro. Para Luiza, sua mulher, é medo de sequestros. Segundo seus empregados é medo da Receita Federal.

Jaqueline Alves

Graduada em Ciências Sociais e Engenheira Ambiental. Especialista em Direito Ambiental; Direito Municipal; Gestão Pública; Engenharia e Segurança do Trabalho; MBA em Petróleo e Gás e Auditoria Ambiental

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