Palocci reafirma que Lula negociou pagamentos ao filho em troca de MP

O ex-ministro Antonio Palocci voltou a afirmar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negociou a aprovação de uma medida provisória (MP) em troca de dinheiro para o filho Luís Claudio. Palocci prestou depoimento nesta segunda-feira por videoconferência ao juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, no âmbito da Operação Zelotes. Segundo o ex-ministro, a MP 627, editada em 2013, é conhecida no meio político como a “campeã das propinas” pela quantidade de “jabutis” enxertados no texto original, que inicialmente tinha o objetivo de instituir as regras para a cobrança de tributos sobre o lucro que empresas brasileiras tivessem no exterior. “Essa MP é talvez a campeã de propinas da história do Brasil”, disse Palocci. “A MP 627 é conhecida como a campeã das propina porque reuniu um número altamente desproporcional de contrabandos”, afirmou. De acordo com ele, Lula atuou para que a então presidente Dilma Rousseff não vetasse o ponto da MP que prorrogava incentivos fiscais de montadoras instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A medida, segundo Palocci, foi negociada com o lobista Mauro Marcondes, do setor automobilístico, em troca de um pagamento de cerca de R$ 2,5 milhões para que o filho de Lula conseguisse realizar um evento de futebol americano no Brasil. Para o ex-ministro, a MP 627 é, por si só, “uma auto denuncia, de tanta coisa que foi enxertada”, “uma árvore de natal de ilicitudes”. “Essa coisa do Mauro Marcondes é uma das que foram enxertada nesta MP”, disse. Segundo ele, inicialmente Luís Claudio o procurou para ajudar no levantamento de recursos. Ele, no entanto, teve uma reunião com Lula para tratar do assunto. Quando comentou sobre

o pedido para a realização do evento esportivo, o ex-presidente teria dito que ele não precisava se preocupar, pois já havia conseguido os recursos. Palocci afirmou que foi nesse encontro que o ex-presidente disse que “tinha feito acordos de subtração de propina com Mauro Marcondes, através da MP 627”. A reunião foi realizada na sala do petista, no Instituto Lula, em maio de 2014, disse. Durante o depoimento, o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martin, perguntou se havia testemunhas da reunião. Palocci ironizou e disse que quando o petista falava de caixa dois e ilícitos, não chamava testemunhas. “Discussão de propina não tem testemunhas. A gente pede para que as pessoas saiam da sala, não que entrem.” Em outro momento, Zanin criticou os termos usados por Palocci na audiência, em relação à edição da MP 627. “Sei que o senhor tem necessidade de usar palavras fortes, porque é um colaborador”, afirmou, em relação aos acordos de delação premiada que fechou com a Justiça. O ex-ministro rebateu: “Não tenho compromisso em fazer peças teatrais, só em falar a verdade”. Caças  Palocci e o ex-ministro Nelson Jobim, que também prestou depoimento por videoconferência ao juiz Vallisney nesta segunda, voltaram a apresentar versões diferentes sobre as negociações para a compra de caças pelos governos petistas. Enquanto Palocci reafirmou que Lula negociou o pagamento de propinas no contrato com a França, Jobim negou as acusações e disse que Palocci sequer participou do processo. Palocci foi ministro da Fazenda de Lula entre 2003 e 2006. Jobim, ministro da Defesa entre 2007 e 2011. Segundo Jobim, “não houve absolutamente nenhuma pretensão de propina ou algo desse tipo” nas negociações com o governo francês para a compra de caças. Palocci, por sua vez, repetiu a versão de que Lula e o ex-presidente da França Nicolas Sarkozy negociaram vantagens ilícitas em uma reunião que entrou pela madrugada. Segundo o ex-ministro da Fazenda, o acordo envolvia a aquisição do modelo de caça francês Mirage, além de submarinos nucleares e os helicópteros. Ele, entretanto, disse não saber se a decisão da então presidente Dilma de optar pelo modelo de caças Gripen, da Suécia, em 2013, envolveu negociações ilícitas.

Fonte: VALOR

Jaqueline Alves

Graduada em Ciências Sociais e Engenheira Ambiental. Especialista em Direito Ambiental; Direito Municipal; Gestão Pública; Engenharia e Segurança do Trabalho; MBA em Petróleo e Gás e Auditoria Ambiental

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