‘Se eu soubesse, teria dito não’, diz modelo que apareceu em anúncio da Dove criticado por racismo

A modelo nigeriana Lola Ogunyemi (esquerda) diz que não sabia do resultado final da propaganda retirada do ar após acusações de racismo (Foto: Facebook/Dove)

A modelo nigeriana Lola Ogunyemi (esquerda) diz que não sabia do resultado final da propaganda retirada do ar após acusações de racismo (Foto: Facebook/Dove)

A modelo que aparece em uma propaganda da Dove, retirada da internet após acusações de racismo, declarou que se soubesse que seria interpretada pelo público como inferior, teria sido a primeira a dizer ‘não’ ao trabalho. Ela escreveu um artigo para o jornal britânico “The Guardian”.

“Se eu tivesse a mínima noção de que eu seria retratada como inferior, ou como o ‘antes’ de uma edição com antes e depois, eu teria sido a primeira a dizer um enfático ‘não'”, escreveu no jornal Lola Ogunyemi, que é de origem nigeriana. “Isso vai contra tudo o que eu acredito”, acrescentou.

Ela ponderou que, apesar disso, a experiência que teve com a Dove foi positiva. “Todas as mulheres que participaram entenderam o conceito e o objetivo da campanha – usar nossas diferenças para destacar o fato de que todas as peles merecem a delicadeza”, disse.

Na propaganda em questão, um anúncio de três segundos para um sabonete líquido, uma mulher negra tira uma camiseta para revelar uma mulher branca, que remove sua camiseta e revela uma terceira mulher.

O vídeo, originalmente publicado na página no Facebook da Dove Estados Unidos e depois deletado, foi amplamente denunciado pelos internautas em todo o mundo.

“Em uma imagem publicada esta semana, erramos ao representar as mulheres de cor, e lamentamos profundamente os danos causados”, declarou a marca em uma mensagem publicada nas redes sociais Facebook e Twitter.

Lola contou que estava feliz em participar de um comercial e promover a força e beleza de sua cor, por isso ficou chateada ao saber da indignação que a propaganda gerou na internet.

‘Não sou vítima’

“Ter a oportunidade de representar suas irmãs de pele negra em uma marca de alcance global parecia a forma perfeita para lembrar o mundo de que estamos aqui, de que somos bonitas e, mais importante, que temos valor”, escreveu Lola.

A modelo ponderou, no entanto, que apesar de concordar com o pedido de desculpas feito pela marca, ela poderia ter defendido sua visão criativa e sua escolha de incluí-la, uma “mulher de pele inequivocadamente negra”, como o rosto de uma campanha.

“Eu não sou apenas uma vítima silenciosa de uma campanha de beleza. Eu sou forte, sou bela e não serei apagada”, escreveu Lola.

Fonte: G1

Jaqueline Alves

Graduada em Ciências Sociais e Engenheira Ambiental. Especialista em Direito Ambiental; Direito Municipal; Gestão Pública; Engenharia e Segurança do Trabalho; MBA em Petróleo e Gás e Auditoria Ambiental

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