Siderurgia Sustentável desenvolve cadeia de produção com baixa emissão de poluentes

O Acordo de Paris, em vigor desde 2016, prevê que os países signatários diminuam suas emissões de gases de efeito estufa, levando em consideração suas condições econômicas e sociais. Em sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), o Brasil se comprometeu a reduzir, até 2025, 37,5% de suas emissões em comparação com dados de 2005.

No documento do Brasil, está relacionada uma série de medidas para se alcançar o resultado esperado de redução de emissão de gases de efeito estufa, dentre os quais se destaca restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas e promover o uso de bioenergia sustentável.

Com o objetivo de unir esforços para reduzir a emissão de gases estufa do processo produtivo do carvão vegetal sustentável, bem como de seu uso pelo setor siderúrgico, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil implementa o Projeto Siderurgia Sustentável.

Sob a coordenação técnica do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e com recursos do Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF), o projeto incentiva processos, tecnologias e arranjos produtivos inovadores e mais eficientes para a produção de carvão vegetal advindo de florestas plantadas e para seu uso na siderurgia brasileira. O objetivo é o desenvolvimento de uma cadeia de produção siderúrgica de baixa emissão de gases de efeito estufa.

A execução conta, ainda, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e do Governo de Minas Gerais. “O projeto tem como intuito principal enfrentar a mudança do clima por meio do incentivo à sustentabilidade tanto na produção do carvão vegetal como também no uso desse insumo pela indústria siderúrgica”, explica a então gerente de projetos do PNUD Brasil, Patrícia Benthien.

Na siderurgia, o carvão vegetal é utilizado como termorredutor, ou seja, não apenas para gerar energia térmica, mas também como fonte de carbono, um dos principais ingredientes na produção do ferro-gusa, aço e ferroligas. Esses produtos são de notória importância para a economia do Brasil, pois estão presentes em todos os aspectos da nossa vida, sendo parte da estrutura das residências e também dos meios de transporte, além de estar presente nas máquinas, motores, ferramentas e equipamentos que produzem energia, alimentos e até mesmo roupa.

O Brasil detém o conhecimento e a capacidade para produzir, de maneira sustentável, o carvão vegetal oriundo de florestas plantadas, manejadas de forma adequada. Dessa forma, o carvão vegetal contribui para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa, que provocam a mudança do clima, além de gerar empregos na área rural e contribuir para a redução da pressão sobre as matas nativas.

O representante da Secretaria de Política Agrícola do MAPA, Gustavo Henrique Marquim, ressalta que a produção de carvão vegetal é um seguimento de extrema importância na cadeia produtiva da madeira. Assim, o “projeto traz subsídios importantes para apoiar na elaboração de um Plano Nacional de Florestas Plantadas”, destaca Marquim.

Um dos objetivos do Projeto Siderurgia Sustentável é a criação de um arcabouço institucional e normativo favorável à produção mais limpa e eficiente de carvão vegetal. De acordo com o diretor do Departamento de Mudança do Clima e Florestas do MMA, Adriano Santhiago, a expectativa é que os resultados sejam “estruturantes para o país em termos de redução da emissão de gases de efeito estufa e em termos de enfrentamento da mudança do clima”. Ele conta que a iniciativa já apresenta “subsídios importantes para formular uma estratégia de desenvolvimento para a cadeia sustentável da produção de carvão vegetal”.

O carvão vegetal e a siderurgia

O Brasil é único país do mundo que ainda mantém significativa produção de ferro-gusa, aço e ferroligas com uso de carvão vegetal. Entre 2005 e 2016, cerca de 25% desse insumo foi produzido com o uso de carvão vegetal no país, enquanto que, no resto do mundo, a siderurgia utilizou o carvão mineral, insumo de origem fóssil e não renovável, fonte de emissão de gases de efeito estufa.

O diretor da PlantarCarbon, Fábio Nogueira, reconhece a importância do Projeto Siderurgia Sustentável para a economia do país. “A iniciativa conseguiu gerar um vetor de diferenciação. Por meio desse sistema, a gente consegue estimular a produção de um produto muito relevante para o PIB brasileiro e que tem um papel importante na mitigação da mudança do clima”.

O Grupo Plantar, do qual a PlantarCarbon faz parte, é pioneiro nos debates sobre siderurgia sustentável e está engajado, há cerca de 20 anos, em iniciativas relacionadas à redução de emissão de gases de efeito estufa. A empresa é também umas das beneficiárias do Projeto Siderurgia Sustentável pelo edital de “Mecanismo de Apoio ao Desenvolvimento, Melhoria e Demonstração de Tecnologias Sustentáveis de Produção e Uso de Carvão Vegetal na Indústria Siderúrgica”.

Minas Gerais foi escolhido para receber o projeto não só porque o estado abriga a maior produção siderúrgica a carvão vegetal do país, mas também pelo pioneirismo no incentivo à sustentabilidade no setor. “A siderurgia e, principalmente, a siderurgia de ferro-gusa, é considerada em Minas Gerais um setor dinamizador da economia nacional”, destaca Wagner Soares Costa, gerente de Meio Ambiente do Sistema da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). “O estado já possui tradição da siderurgia a carvão vegetal”, completa.

Estimular a produção de carvão vegetal e o desenvolvimento do setor siderúrgico está relacionado com o aumento da competitividade da indústria mineira e, consequentemente, com a melhoria da economia do estado nacional, explica o gerente de Meio Ambiente do Sistema FIEMG, instituição com a qual o PNUD firmou Memorando de Entendimento para promover a siderurgia sustentável e sensibilizar a indústria sobre produção sustentável de ferro-gusa, aço e ferroligas.

“Minas Gerais é a maior base florestal do Brasil, e um dos produtos dessa base é o carvão vegetal de florestas plantadas. O Estado é o maior produtor mundial de carvão vegetal”, afirma a presidente da Associação Mineira de Sivicultura (AMS), Adriana Maugeri. Minas Gerais abriga também a maior produção siderúrgica a carvão vegetal.

O assessor de relações internacionais do Governo de Minas Gerais, Pedro Braga, destaca, igualmente, a importância do Estado no contexto do carvão vegetal: “Minas Gerais tem um histórico muito importante nessa produção do carvão vegetal e, por isso, faz muito sentido nos juntarmos a atores de grande importância nesse projeto”.

O Projeto Siderurgia Sustentável incetiva que as empresas desenvolvam tecnologias que contribuam para a redução de emissão de gases de efeito estufa. “A nossa motivação é o fato de existir um programa que valoriza a redução de emissão de gases de efeito estufa e, com isso, gere um incentivo para investir e para operar tecnologias mais limpas e mais sustentáveis”, destaca o diretor da PlantarCarbon. Ele celebra que o projeto possibilitou à empresa investir em “um novo ciclo de inovação, com novos fornos de carbonização e novos processos mais eficientes no ponto de vista de emissão de gases de efeito estufa”.

O projeto e a Agenda 2030

Como parte da Agenda 2030, as atividades do Projeto Siderurgia Sustentável se alinham aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os resultados contribuirão de maneira mais efetiva para o ODS 7 – Energia Limpa e Acessível; ODS 8 – Trabalho decente e crescimento econômico; ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura; ODS 12 – Consumo e Produção Sustentáveis; e ODS 13 – Ação contra a Mudança do Clima.

Fonte: Ciclovivo

Jaqueline Alves

Graduada em Ciências Sociais e Engenheira Ambiental. Especialista em Direito Ambiental; Direito Municipal; Gestão Pública; Engenharia e Segurança do Trabalho; MBA em Petróleo e Gás e Auditoria Ambiental

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